30 março 2014

Bombeiros vão ter “manual de bolso” sobre segurança

Colóquio lembrou bombeiros falecidos em 2013 e alertou para actos que têm “mais coração do que razão”.

Os Bombeiros Voluntários de Brasfemes iniciaram ontem as comemorações do 75.º aniversário, que se cumpre este ano, com um colóquio. O momento, que se pode considerar o primeiro encontro mais formal e alargado de agentes da protecção civil no concelho, neste ano, iniciou-se praticamente com uma homenagem aos oito bombeiros falecidos em 2013 durante o combate a fogos. Foi tão-só um minuto silêncio, mas que calou fundo nos presentes e qua não mais deixaria o colóquio "Os bombeiros, os incêndios florestais e a sociedade". "Não se podem perder vidas por um punhado de pinheiros (...), nem queremos guardar mais minutos de silêncio", diria António Simões. "Numa actuação quase sem paralelo", observou o presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Coimbra, "homens e mulheres fazem o combate aos incêndios mais com o coração do que com a razão, arriscam a própria vida". Isto para salvar casas e uma floresta que "tratamos mal". À importância ambiental, acresce o valor económico da floresta, que representa 10% das exportações nacionais.

"Se é tão importante, por que a tratamos tão mal?", questionou, ao apontar o dedo a estradas intransitáveis e à falta de limpeza. É preciso alterar este estado de coisa, exortou António Simões, incentivando os bombeiros para a sensibilização, nomeadamente junto de crianças e jovens. "Por que não deixamos arder as casas?", interrogou ainda, ao explicar que não se pretende "tirar o coração" do combate, porque é a génese dos bombeiros e só a "capacidade dos bombeiros consegue minimizar o sofrimento das populações". Mas, desafiou, é necessário uma reflexão permanente na segurança.Ser bombeiro "sempre foi uma actividade de risco", mas é preciso atenção para que não haja mais minutos de silêncio, diria, por sua vez, António Ribeiro, da Autoridade Nacional de Protecção Civil. O comandante operacional do Agrupamento Centro Norte revelaria que vai ser distribuído "um manual de bolso" com os procedimentos que os bombeiros devem ter, para que a segurança esteja mais presente. Também o comandante operacional distrital de Coimbra, Carlos Tavares, apelou, numa intervenção destinada a epxlicar o sistema de gestão de operações, ao cumprimento das regras de segurança, à minimização dos riscos, "para que não se percam mais vidas".

Ainda este ano será implementado o curso "Segurança e Comportamento dos Incêndios Florestais", avançou Verónica Catarino, da Escola Nacional de Bombeiros - pólo de formação da Lousã, já depois de Inês Lopes, do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas ter falado de prevenção e nas acções de apoio à decisão que os gabinetes técnicos florestais podem permitir.Entre outras intervenções, o colóquio contou ainda com uma intervenção do inspetor Messias Mira, da directoria do Centro da Polícia Judiciária. Ao enquadrar juridicamente o crime de incêndio florestal, e explicar alguns mecanismos de ignição criminosa de fogos (sendo que a maioria é de origem humana e a maior parte por negligência), Messias Mira lembrou que preservar a zona de início do incêndio é muito importante, "não deve ser rescaldada nem mexida". Em 2013 foram detidas, na área da Directoria do Centro da PJ, 29 pessoas, em mais de 160 inquéritos. Sendo os bombeiros os primeiros a chegar, o inspector apelou à preservação de dados, do que vêem, porque "sem a vossa informação não vamos a lado nenhum"

Fonte: Diário de Coimbra