28 fevereiro 2014

Rebelo Marinho: Os Bombeiros São os Primeiros!

Não, não foram um sonho de menino, quando era menino, nem bombeiros havia na minha terra, eram os bombeiros de Viseu e os de Penalva, que nos acudiam quando a coisa ficava brava, o que era raro, os automóveis contavam-se, e eram uma curiosidade quando, cruzando as ruas, desfilavam, as matas estavam limpas, indústria não havia, nem há.

Os bombeiros são um gosto de adulto, que entrou, há mais de 30 anos, se entranhou com as dificuldades, as glórias, as ingratidões também, e ninguém estranhou.
Por esse tempo, há 30 anos, a disponibilidade e a generosidade marcavam o perfil do bombeiro, sendo estes ,quase os requisitos suficientes para um bom desempenho, mas como todos os tempos têm o seu tempo, de um bombeiro, hoje, para lá destes 2 atributos, ainda se reclama, e muito bem, que seja um técnico qualificado de protecção e socorro.

De então para cá, os tempos mudaram, mas os bombeiros continuam a ser uma instituição de índole marcadamente social, com origem na vontade livre e espontânea das comunidades, que encontraram, nestas organizações, a resposta adequada, e estruturada, às suas necessidades de protecção e socorro, que o Estado, sempre relapso, negligente e preguiçoso para com as suas obrigações, confortavelmente declinou, habituando-se.

Vem isto a propósito da Natureza, que tem andado indisposta, quase fazendo lembrar os invernos de antanho, inclementes e rigorosos, quando o inverno era mesmo um inferno.
O clima, quando exagera de mau, e resolve vingar-se dos desmandos humanos, expõe fragilidades na protecção social, nomeadamente, as dependências extremas dos mais idosos e as vulnerabilidades de outros grupos de risco.

Os meios de comunicação social têm dedicado páginas e aberturas de telejornais ao envolvimento dos BOMBEIROS em múltiplas acções sociais, de apoio às populações, levando os idosos à consulta quando a neve branqueia os caminhos, assegurando os alimentos a quem está isolado pelas cheias, garantindo os medicamentos a quem necessita deles e não pode contrariar o isolamento, levando um prato de sopa quente a quem é íntimo da solidão, sorrindo a quem não vê vivalma e não se queixa porque não tem com quem nem por onde.
Quando a Natureza é má, os bombeiros também estão lá.

Em tantas ocasiões, infelizmente cada vez mais recorrentes, os bombeiros são quem salva, mas também são o apoio, o confidente, o ouvidor e o amigo paciente.
É a porta que não abre, é o vizinho que ninguém dá por ele, já lá vão dias, é a chave que se perdeu, é a cave alagada em tempo de chuva, é o algeroz entupido, é a dor de dentes, é o telhado sobressaltado, é a ansiedade e o pânico, em tudo os bombeiros estão lá.

Em muitas regiões do País, os bombeiros são a tábua de salvação para uma população envelhecida, o ombro amigo para quem precisa e um bálsamo para um País inquieto.
É esta dimensão social que, não podendo, nem devendo, ser hipotecada, faz diferentes os bombeiros e os torna atractivos.
Esta vertente social deve ser inalienável, indeclinável e inegociável, no respeito pelos seus valores fundadores.

Ainda assim, por vezes, a contrastar, lá aparecem os prepotentes do pensamento, com vozes aziagas e possuídos por espíritos maldizentes, que resolvem dar sinal de vida, ter uns minutos de fama e outros tantos de palco, desdizendo dos méritos e competências dos bombeiros, mas que, felizmente, sem auditório, logo, logo, ficam mudos, calados e quedos.
A estes estrangeirados, a sociedade tem respondido cabalmente, ao votar que os BOMBEIROS são os PRIMEIROS.



Rebelo Marinho
          O Zingarelho