11 fevereiro 2014

Rebelo Marinho: “A Ferida”

feridaCelso Cruzeiro, antigo coordenador da unidade de queimados dos Hospitais da Universidade de Coimbra, afirmou a um semanário que os bombeiros poderão estar a usar fatos desadequados ao combate aos incêndios florestais e que fatos apropriados poderiam ter minimizado as lesões sofridas.

Celso Cruzeiro pôs o dedo na ferida.

Já antes, outros dedos, certamente sem tanta autoridade, tinham tocado na mesma ferida, o que quer dizer que a ferida existe mesmo.

Uma ferida que queima e que arde.

Uma ferida aberta, que esperamos não gangrene.

É o dedo apontado aos equipamentos de protecção individual.

Estão,assim, criadas condições objectivas para que os governantes consagrem esta área como inquestionável, no quadro das prioridades próximas de distribuição de equipamentos.

Assim, importará que a ANPC, no imediato, não poupando na qualidade, na quantidade e no preço, aposte em:

  1. inventariar as necessidades de EPIs, em número razoável e equilibrado, por cada CB;
  2. elaborar um plano plurianual de distribuição de EPIs;
  3. definir as especificações técnicas respeitantes aos EPIs, garantindo a sua conformidade às exigências técnicas e legais e a sua consequente certificação;
  4. construir o respectivo caderno de encargos;
  5. lançar um concurso público internacional de selecção dos respectivos equipamentos;
  6. proceder à selecção dos fornecedores;
  7. transferir para as AHBVs as verbas correspondentes aos equipamentos distribuídos a cada CB, que contratualizavam com os fornecedores a respectiva compra.

Todos estes procedimentos deverão ser centralizados na ANPC, garantindo-se, desta forma, a tão desejada normalização técnica dos equipamentos comparticipados pela tutela e a sua uniformização, à escala nacional.

As diferenças dos equipamentos da FEB, GIPES e Bombeiros, com prejuízo para estes, são tão gritantes, que escandalizam, são tão evidentes, que envergonham.

As coisas não podem continuar como estão.

Não podemos continuar distraídos e a fazer de conta.

Em questões tão melindrosas, que interferem com a vida e a segurança das pessoas, importa ser sério… e justo.

Nestas matérias, de tanto melindre, ser omisso é ser inconsciente e ser permissivo é ser irresponsável.

Rebelo Marinho
       O Zingarelho