28 fevereiro 2014

Rebelo Marinho: "Estado Sacode a Água do Capote - Parte II"

Responsabilizar  as AHBVs pela compra de EPIs de má qualidade é uma atitude de fraco nível intelectual e de pouca argúcia táctica.
Culpabilizar as AHBVs é fácil. Difícil é fazer direito.

Há pouco, os responsáveis foram os bombeiros, agora também já são as entidades detentoras.
Isto está a ficar bonito.

Sou dirigente de bombeiros há três décadas, agora não em funções executivas, e não acredito que algum presidente ou comandante aposte na má qualidade dos equipamentos, por razões de economia, pondo  em risco a vida dos seus homens.

O que se passa é que o Estado, sabendo que não transfere as verbas suficientes para uma compra de qualidade, é intencionalmente, permissivo na definição de características técnicas dos equipamentos.
Visto assim, é o Estado que promove a pouca e fraca qualidade do vestuário de protecção, e, desta forma, é o Estado o responsável pelas condições de insegurança em que os bombeiros trabalham.

Transferir esta responsabilidade para as AHBVs/CBs é de muito mau gosto, para não lhe chamar outro nome, que os leitores não merecem.
Falo, obviamente, apenas e só ,  dos equipamentos comparticipados pelo Estado.
Se o Estado quisesse ir por um bom caminho  impunha, de uma forma clara, características técnicas, exigentes, robustas e incontornáveis, a que os equipamentos teriam que obedecer,transferindo as verbas bastantes e adequadas para que as AHBVs  procedessem à  sua compra.
E, impondo as características e transferindo as verbas adequadas a essas exigências, então sim, o Estado tinha autoridade para falar em compras de “2ª qualidade” e afirmar que “quem compra EPI é responsável pelo material que compra”.

Neste domínio da segurança, o  Estado deve ser exigente, e, não o sendo, e autorizando acompra de material equivalente, é negligente ou é  incompetente.

E o Estado que  autoriza as compras de material equivalente, é conivente no processo.

O Estado não exige, aconselha.
E depois, não satisfeito,  atira pedras a quem não segue o conselho.
Também aqui ,o Estado se demite e omite.
É o mau Estado no seu melhor.

Entretanto,ao que se sabe, a ANPC incumbiu à DNB a realização de uma inspecção aprofundada ao tipo de material comprado pelas AHBVs
Se a  competência de normalização de equipamentos fosse assumida,e bem interpretada, talvez esta diligência fosse escusada e dispensável.

No caso de isso não ser fácil, ou possível, então, distribuam-se aos bombeiros, EPIs de igual qualidade aos que actualmente equipam, e bem,  a FEB e os GIPS.
Sendo de boa qualidade, como são, ficavam as dúvidas prejudicadas, as inquirições evitadas e os bombeiros melhor protegidos.
Era mais que justo, e os bombeiros agradeciam.
Seriam excelentes notícias.


Rebelo Marinho
         O Zingarelho