22 fevereiro 2014

Passeio a sul da praia do Furadouro em risco de derrocada

Câmara de Ovar insiste em obras urgentes na costa. Intervenção na defesa aderente do Furadouro é considerada prioritária e custará 200 mil euros


A praia do Furadouro, em Ovar, não tem tido descanso neste Inverno particularmente difícil para quem vive paredes-meias com o Atlântico. O areal continua a encolher, os esporões acusam desgaste, e as atenções recaem agora na zona sul depois do mar ter derrubado o muro que protege a marginal na área central, ter entrado em vários estabelecimentos comerciais, inundado caves e garagens de prédios, e ter cuspido pedras e pedaços de madeira para terra. O presidente da Câmara de Ovar, Salvador Malheiro, adianta ao PÚBLICO que o esporão e o passeio a sul estão em “perigo de derrocada”. O autarca insiste na urgência das obras e adianta que há intervenções delineadas e que farão parte de um protocolo que em breve, possivelmente já na próxima semana, será assinado com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) - que se compromete a assegurar a componente financeira.

A reabilitação da defesa aderente a sul do Furadouro é agora considerada prioritária para evitar mais estragos junto ao mar, num investimento que rondará os 200 mil euros. Uma obra que a autarquia espera que avance rapidamente, antes que haja mais betão engolido pelo mar. A reconstrução do muro que protege a marginal do Furadouro do mar, destruído há poucas semanas, também faz parte dos planos. “Vamos arranjar o muro e betoná-lo”, refere Salvador Malheiro. Uma protecção em betão em cerca de 150 metros de extensão na zona central e que custará cerca de 20 mil euros.

Mas não é só o Furadouro que preocupa Ovar. Maceda também está na lista do Governo, até porque há uma lixeira desactivada a cerca de 150 metros do mar, e em Cortegaça houve necessidade de avançar. Nesta praia, entre Esmoriz e Maceda, a câmara gastou 25 mil euros na requalificação do esporão localizado a sul e que estava a ficar “descalço”. “Se não actuássemos, três milhões de euros iriam pelo mar abaixo”, assegura o autarca. “Não podíamos esperar mais”, acrescenta.

A Câmara de Ovar acredita nas garantias dadas pela APA que suportará as despesas na protecção do litoral vareiro, uma das zonas mais afectadas pela erosão costeira no nosso país. Até ao Carnaval, as populações das praias estão de sobreaviso, uma vez que é esperada mais uma investida violenta do mar.

Salvador Malheiro promete não baixar os braços. Na segunda-feira, na reunião da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro, irá colocar em cima da mesa a possibilidade de enquadrar o problema da erosão costeira, por si só, numa Intervenção Territorial Integrada (ITI), o que permitiria a apresentação de uma candidatura a fundos comunitários. “Pretendemos que a erosão costeira seja encarada como uma Intervenção Territorial Integrada com financiamento próprio”, explica. Em perspectiva, está também a organização de uma conferência sobre o avanço do mar e suas consequências com a partilha de visões e experiências de especialistas do sector, quer nacionais quer internacionais. Um momento de análise e debate e em que o autarca espera contar com a presença de membros do Governo. 

No início do ano, o ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, Jorge Moreira da Silva, viu no local os estragos que o mar provocou no Furadouro, em Cortegaça e em Esmoriz. Nessa ocasião, anunciou acções urgentes no litoral de Ovar para substituir e requalificar barreiras aderentes, reabilitar dunas, proteger arribas, e encher as praias com mais areia. Intervenções avaliadas em três milhões de euros.

Público