25 fevereiro 2014

Passei Perto, Muito Perto


Passei perto, muito perto.
Tentar nao olhar, mas é impossivel não faze-lo, muito menos ir.
A Serra do Caramulo.
Não se consegue explicar o que se sente no meio daqueles montes.

Olhar para aquelas "gargantas". Olhar para aqueles caminhos e fazer o filme na minha cabeça, o "Tal" filme.
Caminhos que recortam o negro. Os mesmos caminhos por onde tantos andaram, correram. Os mesmos caminhos que serviram para ir, mas também serviram para ir buscar.

Olhei aquelas pedras. São apenas pedras, mas não as quiz ver como tal.
São ásperas, despidas, frias.
Olhei-as e vi nelas como que as pegadas de alguém. Alguém que apesar do suor, deixou pegadas para trás com um sorriso no coração, com uma força tão dura como aquelas pedras. Uma força única que poucos, muito poucos entendem.
A força de alguém de rosto farrusco que corre e de repente grita contente, "está aqui um caminho, podemos ir mais à frente". 

É esse ir mais à frente que só alguns entendem.
É esse ir mais à frente que nos chama.
Tantas pegadas tem aquela Serra. Eram tantos. Foram tantos os que vieram.
Tantos. Um Exército de corações. Corações que traziam dentro de si o amor daqueles que deixaram para trás. Corações que deixaram gravados a cada palmo de terra uma gota de suor.
Sente-se o siêlncio. Um vento estranho.
Olha-se e sente-se, apenas isso.
Sente-se como que os corações das ervas a quererem nascer. Ervas regadas com o suor, fortalecidas com as vidas que as semearam.
Ervas regadas com as lágrimas de quem lá vai.
Eu deixei lá as minhas.
Arrepia, doi.
Mas sente-se Paz. Parece que anda por ali Alguém que nos conforta.
Mas anda. Alguém que cuida das pegadas, das ervas, dos caminhos. 
Há ali corações que saltitam de pedra em pedra.
Corações que gostam de serem lembrados e visitados.
Mas acreditem, não são apenas pedras.



Por: Carlos Ribeiro
In: Diário de Um Bombeiro