05 fevereiro 2014

DÚVIDA ESSENCIAL

Hoje, não quero escrever muito, estou preocupado com o vento, não gosto do vento, e estou preocupado com as telhas de quem, por vezes, o vento também não gosta.
A natureza quando se zanga torna-se muito difícil de aturar, e de entender.
A reforma da protecção civil e bombeiros, de 2007, que não tem nada a ver com o vento, consolidou a presença de diversas entidades, que partilham tarefas e responsabilidades, nos variados teatros de operações.
A mesma reforma consagrou o princípio do comando único e a figura do comandante das operações de socorro.
Amiúde, em seminários, “workshops” e afins, é corriqueiro os representantes autorizados daquelas diferentes entidades afirmarem que não recebem ordens dos bombeiros porque têm os seus comandos próprios e somente a eles respondem.
Que têm os oficiais de ligação, que canalizam as necessidades e pretensões a quem de direito, isto é, às suas hierarquias e estruturas de comando, e não há perda de eficácia por isso.
À luz do princípio do comando único, pode-se questionar este ponto de vista.
Ou aceitá-lo, pura e simplesmente.
Então, eis-me chegado à dúvida, que me angustia, porque, para ela, não tenho resposta que me conforte: 


1. porque razão todos os demais agentes de protecção civil respondem aos seus comandos, e apenas a eles, e o agente bombeiros tem que responder a um comando que não é o seu?


2. porque razão a ANPC detém o comando integrado de todos os corpos de bombeiros e não detém o mesmo comando sobre os restantes agentes?


3. qual a razão que justifica que, sendo os bombeiros o principal agente de protecção civil, seja exactamente o único agente que está privado de ter o seu comando nacional próprio? 


4. porque é que a ANPC superintende na actividade dos bombeiros e não superintende na actividade dos outros agentes de protecção civil?


5. porque razão esta discriminação negativa só acontece com os bombeiros?


6. qual a razão pela qual assim continuamos, e nada disto muda?


Se houver quem me saiba explicar, responda a este apartado, por favor.
Explicações sérias, dispenso as convenientes, explicações lógicas, dispenso as possíveis, explicações verdadeiras, dispenso as oportunas.


Até já.

REBELO MARINHO


Fonte: Zingarelho