28 fevereiro 2014

Duarte Caldeira: Competência para Decidir Bem

Aprendi que a Ciência, no seu processo de desenvolvimento, depara-se continuamente com dúvidas e contradições que exigem reflexão e exames aprofundados, cuja superação conduz a novas questões.

A decisão alicerçada na utilização de instrumentos de base técnica e científica pressupõe humildade e disponibilidade para aceitar, tantas vezes, que a nossa percepção das coisas está errada, pelo que devemos corrigir, em tempo útil, o que tínhamos por adquirido.

Na análise da prática politica e da actuação dos seus agentes, confrontamo-nos frequentemente com decisões tomadas e dadas por acertadas numa determinada legislatura e, logo na legislatura seguinte, postas em causa ou até substituídas por outras, à imagem dos detentores do poder de decisão. E isto não é uma questão de Partidos, porque constatamos este absurdo em decisores sectoriais do mesmo Governo.

O sector da Protecção Civil constitui um exemplo, entre muitos, do anteriormente referido. Ao longo dos anos habituei-me a constatar que os ministros e secretários de Estado com a tutela da Protecção Civil e dos Bombeiros, salvo poucas e honrosas excepções, não descansam enquanto não fazem mudanças de estratégia e de prioridades, relativamente a domínios em que a estabilidade das políticas e a sua avaliação deveriam ser pontos de honra.

Mas como podemos aspirar a isto, se os decisores políticos são seleccionados pelas máquinas partidárias, sem a mínima preocupação quanto às competências que possuem para as missões que lhe são atribuídas? O que podemos esperar dos assessores recrutados do mesmo modo, sem base técnica e cientifica para instruírem pareceres que sirvam de base a decisões sustentadas e duradouras?

A boa decisão política tem de necessariamente ser:
Conquistada sobre os preconceitos
Construída na razão
Verificada nos factos

Enquanto isto não for assumido, nas politicas de Protecção Civil e nas demais, Portugal continuará a ser um país adiado.


Duarte Caldeira
    Repórter Caldeira