27 fevereiro 2014

Dificuldades financeiras e salários em atraso nos Bombeiros Voluntários de Leixões

A direção da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Leixões confirmou hoje o "péssimo estado financeiro" da instituição, situação que já se arrasta há anos mas agravada com os cortes públicos, havendo já salários em atraso aos trabalhadores.

Contactado pela agência Lusa, o presidente da direção da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Leixões, Aires Aleixo, explicou que a corporação tem uma dívida de cerca de 300 mil euros e que a situação financeira "é de tal forma complexa que resolvê-la é um verdadeiro quebra-cabeças".

"A associação está num péssimo estado financeiro, que foi agravado pelos cortes em termos de financiamento público", explicou o presidente da direção desde agosto de 2011, que acrescentou que há dívidas a fornecedores desde 2007.

De acordo com Aires Aleixo, os funcionários têm já salários em atraso "há cinco ou seis meses", estando ser pagos, nos últimos meses, "cerca de 400 a 500 euros a cada trabalhador" para que estes não fiquem em situação de total necessidade, sendo a exceção aqueles que têm os salários penhorados.

O presidente da direção disse ainda que, em 2012, estaria previsto que a Câmara de Matosinhos entregasse 100 mil euros à instituição mas acabou por só entregar 30 mil euros, tendo em 2013 reduzido o apoio para os 65 mil euros anuais.

"Uma das principais dificuldades foi determinar o valor da dívida, um verdadeiro quebra-cabeças. Está, aliás, a decorrer um processo-crime contra incertos pela utilização de fundos de forma muito duvidosa", disse.

Aires Aleixo explicou ainda que não tem forma de pedir empréstimo bancário uma vez que o quartel dos bombeiros só agora está ser licenciado.

"Temos apelado à câmara e às empresas e começamos a dar formação profissional como forma de fazer dinheiro e temos aumentado a presença da associação junto da comunidade. Batemos a muitas portas mas todos nos dizem que os tempos são muito difíceis para todos", enfatizou.

De acordo com o responsável, desde que a atual direção tomou posse, primeiro determinou a dívida, depois adotou uma contabilidade organizada e tentou ainda renegociar com os credores.

Aires Aleixo considerou que este é um problema de solução difícil porque não é de um momento para o outro que se arranja um patrocinador.

"Estamos a implementar uma mudança radical de paradigma porque sempre tivemos dependentes do financiamento público e agora estamos a tentar arranjar formas de angariar fundos que substituam os cortes impostos", explicou.

JF // MSP

Lusa/fim