22 fevereiro 2014

Dezenas de Bombeiros e Ambulâncias accionados para Acidentes que não Existem

Sete ambulâncias saíram para socorrer um despiste de um autocarro denunciado por uma chamada falsa

Os Bombeiros Voluntários de Paço de Sousa (BVPS), em Penafiel, têm sido sucessivamente accionados para acidentes em Cabroelo, um lugar da freguesia da Capela, mas quando chegam ao local indicado nada encontram. Trata-se de chamadas falsas que colocam em perigo os próprios bombeiros, causam avultados prejuízos financeiros e põem em causa o socorro a casos verdadeiramente urgentes.

Nas chamadas falsas feitas para o 112 ou para o 117 são dadas indicações pormenorizadas de cenários dramáticos. Na última, o autor da chamada descreveu um despiste de um carro com várias vítimas, entre as quais uma criança "que já não resistia a estímulos".

Foram accionados meios aéreos para a falsa emergência

Eram 11h25, do passado dia 12, quando o telefone do quartel dos Bombeiros Voluntários de Paço de Sousa recebeu uma chamada do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) a dar conta de um acidente. Através do número europeu de emergência, o 112, um homem pediu socorro imediato para as vítimas de um despiste automóvel. Sem hesitar, revelou que o acidente tinha acontecido em Cabroelo, Capela, e que havia várias vítimas graves. Uma delas, disse, era uma criança que "já não reagia a qualquer estímulo".

Perante o cenário descrito, foram accionadas cinco viaturas e 13 bombeiros de Paço de Sousa. Também a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do Hospital Padre Américo, assim como a GNR, foi enviada para o lugar daquela pequena freguesia de Penafiel, mas depois de vários minutos à procura ninguém encontrou o acidente.

Este não foi, no entanto, o caso mais grave descrito numa chamada falsa. Pelas 10h49, do dia 20 de Dezembro do ano passado, alguém pediu ajuda para o despiste de um autocarro, mais uma vez em Cabroelo. Perante a tragédia anunciada, foram mobilizados sete viaturas e 17 homens dos BVPS. A VMER do Vale do Sousa e a ambulância de Suporte Imediato de Vida de Amarante também foram enviadas para o local. "E os meios aéreos estavam a postos para sair a qualquer momento", revela o 2º comandante de Paço de Sousa, José Nunes.

Porém, também desta vez, se verificou que a chamada de socorro era falsa e não havia nenhuma vítima encarcerada num autocarro.

Acidentes descritos ao pormenor

O 2º comandante dos BVPS suspeita que as chamadas falsas são efectuadas por alguém que tem conhecimento sobre os métodos de socorro. "Para dar pormenores como os que dá não é nenhuma criança.

E pela linguagem que utiliza é alguém que conhece um pouco o modo de proceder dos bombeiros", afirma.

José Nunes alerta para o perigo destas chamadas falsas, nomeadamente para os bombeiros "que seguem em marcha urgente e colocam a vida em perigo". "Também ficam desmoralizados com estas situações", acrescenta José Nunes, que lembra que o socorro é feito por voluntários "que abandonam o trabalho" para responder ao alerta da sirene. "Da próxima vez, podem pensar que é mais uma chamada falsa e já não vêm", diz.

O socorro a casos verdadeiramente urgentes fica, assim, em causa, até porque se os meios estiverem mobilizados para casos falsos não podem ser direccionados para outras emergências.

A tudo isto há a juntar o prejuízo causado por falsas urgências. "Quando fomos accionados para o despiste do autocarro, as nossas viaturas percorreram 258 quilómetros. Quando foi o caso das vítimas encarceradas no carro foram mais 173 quilómetros. É preciso pagar o combustível e a manutenção das viaturas", salienta o 2º comandante.

GNR tenta descobrir o autor das chamadas

José Nunes conhece apenas um autor de chamadas falsas que chegou a ser julgado. "Foi há cerca de quatro anos, mas não sei qual foi a sentença desse caso", refere.

O 2º comandante de Paço de Sousa recorda-se de outras situações em que estava bem identificado quem telefonava para o 112 ou 117 a pedir ajuda para falsos acidentes. Mas também não sabe o que lhes aconteceu. "Normalmente, são pessoas com algum problema mental", frisa.

No caso das recentes chamadas falsas oriundas de Cabroelo, na Capela, a GNR tomou conta das investigações e já tentou identificar o número usado para dar o alerta. 


fonte: Verdadeiro Olhar