08 fevereiro 2014

Bombeiros portugueses utilizam fatos desadequados no combate aos incêndios

incendiogaia_1391782844Celso Cruzeiro, antigo coordenador da unidade de queimados dos Hospitais da Universidade de Coimbra, afirmou hoje ao jornal Sol que os bombeiros portugueses utilizam fatos que poderão estar desadequados ao combate aos incêndios.

“Se o material, sobretudo os fatos e as botas, fosse adequado, podia ter minimizado as lesões” que os bombeiros sofreram nos incêndios do último verão, defende Celso Cruzeiro.

A unidade de queimados dos Hospitais da Universidade de Coimbra recebeu seis bombeiros com queimaduras graves devido aos incêndios do último verão, sendo que um deles viria mesmo a falecer.

Celso Cruzeiro prossegue a sua análise, afirmando que alguns dos bombeiros utilizam “equipamento que arde e se cola à pele. Outros já têm equipamento mais “sofisticado”, na medida em que não arde, mas deixa passar calor e provoca queimadura na mesma”, sendo que para o antigo responsável da unidade de queimados, o equipamento ideal é aquele que “não arde nem aquece”.

No relatório acerca dos incêndios florestais, elaborado por Xavier Viegas, e que trouxe muita polémica e várias trocas de acusações, já vinha referenciado que em relação ao equipamento de proteção para os bombeiros não se deveria poupar “no preço, na qualidade, ou na exigência das especificações”.

Já Rui Silva, presidente da Associação Portuguesa de Bombeiros Voluntários (APBV) afirmou que “a maioria dos bombeiros não tem equipamento de proteção para incêndios florestais, mais sim fardamento, que é usado tanto em incêndios como na condução de ambulâncias”.

O responsável associativo vai mais longe e afirma que para além do custo elevado das botas certificadas para bombeiro, são raros os “bombeiros que têm máscara”, equipamento “fundamental que permite filtrar poeiras e parte dos gases tóxicos”.

Para Rui Silva a solução para os bombeiros começarem a utilizar o equipamento adequado no combate aos incêndios de norte a sul do país reside na centralização na Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) da compra de todo o material, em vez de se delegar em associações municipais, como acontece atualmente. “Isso aumentaria a transparência e garantia que o equipamento era uniforme de Norte a Sul do país”, declarou o presidente da APBV.

 

fonte: Segurança Online