11 fevereiro 2014

ANPC pediu parecer técnico a especialista: Conclusões apontam para violação de regras



É mais uma avaliação ao desempenho dos bombeiros portugueses que aponta para várias fragilidades na abordagem ao teatro de operações. Segundo o parecer técnico operacional da autoria de Orlando Ormazabal, Diretor Executivo Afocelca, foram cometidos erros que se demonstraram fatais nos cinco incêndios que registaram vítimas, no verão passado. Neste documento que o ‘BP’ já consultou pode ler-se que foi elaborado com uma distância temporal que permite uma “maior objetividade da análise” dos fatos, não pretendendo constituir uma “investigação” nem um “relato dos fatos ocorridos”.

Para este parecer “não foram executadas quaisquer entrevistas ou diligências aos intervenientes diretos aquando dos acidentes, tentando assim delinear um enquadramento das ações e procedimentos tomados”. A execução deste documento teve por base: “Análise de documentos preliminares da investigação em curso por parte da ANPC, onde apenas são referenciados os relatos aquando da reconstituição nos locais durante o mês de setembro; Análise das fitas de tempo disponibilizadas pela ANPC; Visita aos locais dos acidentes com elementos de comando e, finalmente, Análise de imagens dos locais para apreciação dos tipos de combustíveis aquando dos acidentes, através das plataformas: fotografias aéreas; Google Earth”, lê-se no documento.

7_2.jpgOs cinco acidentes onde se registaram vítimas mortais foram analisados um a um sendo que o parecer técnico conclui que existem erros comuns a todos os teatros de operação estudados. Numa abordagem geral, foram colocados em causa: 10 Normas de Segurança; 18 Situações que alertam Cuidado; LACES (Vigias, Pontos de Ancoragem/ Estado de Alerta, Comunicações, Caminhos de Fuga e Zonas de Segurança) e, finalmente os requisitos definidos para o combate encosta abaixo.  

O parecer técnico de 10 páginas e foi elaborado por Orlando Ormazabal, Diretor Executivo da Afocelca (agrupamento complementar de empresas do grupo Portucel Soporcel e do grupo ALTRI), a pedido de José Moura, Comandante Operacional Nacional.

LBP critica quebra de sigilo

A Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) repudia veementemente a forma e modo como estão a ser lançados para a opinião pública notícias que visam objetivamente “lançar suspeição” sobre as capacidades e conhecimentos dos bombeiros portugueses. Num comunicado tornado público depois de ter sido noticiado o conteúdo de mais um parecer técnico, a Liga diz ter a convicção da “falta de ética” e “desonestidade intelectual” daqueles que antes de fazer uma análise profunda e inequívoca por parte de todas as entidades com responsabilidade no setor, quebrem o sigilo que deveria imperar em situações destas. “Também pelo facto do desrespeito pela memória daqueles que deram a sua vida na defesa das vidas e haveres das populações, e hoje infelizmente já não podem participar na análise e discussão do que se passou no momento e ao tempo naqueles fatídicos teatros de operações”, acrescenta.

A LBP exige que se “apurem” todas as responsabilidades até às últimas consequências, aproveitando também para apelar ao “respeito” pela memória daqueles que deram tudo, até a própria vida, na defesa da sua Pátria.



Jornal Bombeiros de Portugal