09 janeiro 2014

Onda gigante invade casa de ex-deputado

Água invadiu casas e lojas em São Pedro de Moel e destruiu areal no Pedrógão.

Desalento e resignação. De mangas arregaçadas, moradores e comerciantes punham ontem mãos à obra e tentavam reparar, como podiam, os danos causados pela fúria do mar, na praia de São Pedro de Moel (Marinha Grande). Na noite de segunda-feira e madrugada de ontem, a água invadiu a principal praça daquela praia, entrou pelas casas, partiu janelas e virou mobílias. Quando se foi, deixou um rasto de areia.

"Cheguei, abri a porta e tinha a praia em casa." Henrique Neto, empresário e ex-deputado, gracejou, desta forma, com a devastação que atingiu a sua casa de férias. Seguiu o exemplo dos vizinhos e carregou, com uma pá, a areia para a rua, enquanto fazia contas aos prejuízos. "Há muita coisa danificada e a limpeza vai demorar, no mínimo, umas duas semanas", contou. Ao lado, um dos restaurantes ficou inoperacional. José Mendes, proprietário, era a imagem da desolação. "Em 18 anos de atividade nunca vi uma coisa assim."

A poucos quilómetros dali, na praia do Pedrógão, concelho de Leiria, os moradores viram, com aflição, o mar arrastar grande parte do areal e deixar uma praia de rochas. Os passadiços de madeira foram destruídos e a derrocada ameaça alguns apoios de praia. Raúl Castro, presidente da câmara, partilhou as críticas dos habitantes e apontou o dedo à Agência Portuguesa do Ambiente, que, no seu entender, já devia ter resolvido o problema, que se tem agravado ano após ano. "Em 2012 foi feito o projeto (para evitar a erosão da praia) e, até agora, fizeram zero."

Na praia do Cabedelo (Figueira da Foz), a agitação marítima pôs a descoberto 100 metros de uma proteção rochosa, que sustenta uma duna artificial construída há 50 anos. O ministro do Ambiente, Jorge Moreira da Silva, visita hoje as praias atingidas pelo temporal de segunda-feira nos distritos de Aveiro e Coimbra.

Fonte: CM