28 janeiro 2014

O Estado sacode a água do capote – Parte I

CEX651.“Os comandantes que temos não é os que queremos, são os que emanam da sociedade civil” e ainda “somos confrontados com comandantes em alguns sítios, que é o que é, é o que há”

Preto no branco.

Frases duras e frias.

Generalizadas, como o foram, são uma ofensa.

Isoladas, são uma agressão.

Só pode ter sido precipitação.
Por ingratidão seria bem pior

Mas há que ter cuidado com o que se diz, como se diz, de quem se diz, onde se diz e porque se diz.

São cuidados triviais e banais, sempre a ter em conta.

2.Os comandantes que não são do sistema deviam ser obrigados a mais formação, como passar por um verão para “queimar as pestanas”.

Espero, e quero acreditar, que esta orientação, em coerência, passará a valer também para todas as nomeações, de perfil operacional, que a ANPC venha a fazer no futuro, de pessoas vindas de fora do sistema.
E que o CONAC moverá céus e terra para que todos os operacionais que trabalhem sob a suas ordens venham a preencher estes requisitos.

Se assim não vier a ser, se estes nomeados não fizerem formação, se não forem avaliados, se não queimarem as pestanas antes de, quem vai acreditar na justeza da medida, agora dita?

Se assim não vier a ser, faltará critério e perder-se-á autoridade.

O Estado só pode exigir dos outros se fôr exigente com os seus.

Isto é, se der o exemplo.

O contrário é abuso.

As frases acima, numeradas e destacadas, foram proferidas no grupo de trabalho da AR para os incêndios florestais, pelo actual CONAC.

Tenho estima pessoal, consideração intelectual e apreço operacional pelo Cmdt José Manuel Moura, mas isso não me obriga a concordar com ele, em tudo.

O silêncio não é o preço que se deve pagar pelo bom relacionamento.

Custou-me muito ouvir isto.
Pelos anos que tenho disto.

Ele há dias assim, infelizes, só pode.

Até já.



Rebelo Marinho
       O Zingarelho