Um reformado de 71 anos, condecorado da guerra colonial por atos de bravura, salvou um vizinho de nacionalidade russa que se encontrava a dormir na habitação onde deflagrou um incêndio, na manhã desta sexta-feira, em Paços de Brandão, Santa Maria da Feira. O homem ainda conseguiu apagar o incêndio.
Cerca das 9.30 horas, Moisés Bastos estava a estacionar o carro junto a casa, quando a filha o alertou para o incêndio na habitação do vizinho. "Fui a correr e tentei deitar a porta abaixo ao pontapé. Como não consegui, parti o vidro e abri a porta, porque a chave estava por dentro", recordou, ao JN.
Ao tentar entrar na habitação, através da cozinha, Moisés apercebeu-se de que o fumo e as chamas tinham tomado conta do espaço.
"Estavam a arder os dois frigoríficos, o micro-ondas e os móveis. Peguei numa mangueira e comecei a apagar o incêndio", contou. "Tapei a boca com um pano e fui abrir as janelas, porque o fumo era muito e não se conseguia ver quase nada", acrescentou.
Moisés Bastos deslocou-se em seguida para o corredor de acesso ao quarto onde dormia o vizinho, um russo de 50 anos, que não se tinha apercebido do sucedido. "Estava a levantar-se já muito atordoado por causa do fumo que inalou. Ajudei-o a sair", referiu Moisés.
No entanto, o cidadão russo terá voltado à habitação para tentar salvar alguns bens. Acabaria por sofrer queimaduras de segundo grau nas costas e braços, ficando em estado grave devido ao fumo que inalou. Foi assistido no local pelos bombeiros da Feira e uma equipa da VMER. Foi depois transportado para o Hospital de São João, no Porto.
Moisés Bastos mostrava ter agido por instinto e lembrou que, já na Guiné, na guerra colonial, tinha evitado que um incêndio atingisse as munições de um paiol militar.
por Salomão Rodrigues / JN





