04 janeiro 2014

Carta ao Exmo. Sr. MAI

304572_101871593297117_636582889_nExmo. Sr. Ministro da Administração Interna
Dr. Miguel Macedo

Escrevo este e-mail, num momento de pura reflexão sobre os meus 25 anos de Bombeiro. Após ler o relatório dos incêndios florestais de 2013, não posso deixar de tecer uns quantos comentários, acerca do mesmo. S

eria importante perceber o contexto de toda esta dinâmica, um país completamente abandonado, sem cadastro e sem ordenamento do território, políticas pouco honestas e negligentes no que diz respeito à floresta e ordenamento do território. Também a confusão de entidades, ministérios e direcções gerais, legislação avulsa e em quantidade exagerada com difícil aplicação.

Uma ANPC pesada e com muitos chefes e poucos “índios”, militarizada na sua cúpula, com consequências para a legislação emanada referente aos Corpos de Bombeiros, reflectindo falta de sensibilidade e conhecimento da realidade dos bombeiros.

Uma Escola Nacional de Bombeiros, que todos sabem, forma mais civis do que bombeiros e com um modelo que precisa de ser revisto. Juntando a isto tudo, problemas no funcionamento dos Corpos de Bombeiros em Portugal, como falta de equipamento, formação a precisar de ajustes que não é necessário esconder de ninguém.

Com estes factos, que todos conhecemos, no final a “ponte” cai e o culpado é o servente de pedreiro, peço desculpa Senhor Ministro pela frase, mas adapta-se perfeitamente para este tema. Sabendo que foram cometidos erros e que os mesmos devem ser resolvidos e assumidos, não deixo de achar estranho a divulgação de um relatório como este, na véspera de natal, com milhões de Portugueses a assistir na televisão à crucificação dos Bombeiros Portugueses, com muitas entidades e responsáveis das mesmas em “bicos” de pés para aplaudir tamanha sangria pública.

Sabemos que os Bombeiros cometeram erros, mas esta crucificação pública, denota o respeito que as entidades públicas têm pelos Bombeiros e acima de tudo é representativo de qual a opinião da cúpula acerca dos mesmos.

Sabendo que quase toda a estrutura é militarizada, fica a pergunta, qual é o General que numa batalha não defende os seus Homens?

Aquele que não se interessa por eles! Fica também uma questão para o MAI, este mesmo tema, mas que envolva outra entidade, teria o mesmo tratamento?

Penso que não, sem qualquer tentativa de vitimização dos bombeiros, não deixa de ser interessante o impacto que a instituição tem e que o nome Bombeiros tem perante a sociedade, e é esta projecção e confiança nos bombeiros que assusta alguns gabinetes de imagem!

Seria também pertinente, efectuar um relatório e apurar culpados do desordenamento do território, dos responsáveis pelas leis avulsas e mal feitas, do material comprado com péssima qualidade. Seria bom ver o nome destas pessoas na véspera de natal do próximo ano.

Que os nossos colegas descansem em paz, pois tinham a profissão certa no país errado.

Um próspero Ano Novo

Manuel Nunes