17 janeiro 2014

B. V. Leiria: Comunicado Direito de Resposta

71447_797886320227997_631924859_nReportagem SIC Jornal da Noite de 16 de janeiro de 2014

“MORTE POR FALTA DE MEIOS DE EMERGENCIA?”

No dia 29 de dezembro de 2013, às 10H27, foi recebido através do CODU (INEM), um pedido de envio de uma ambulância de socorro, a partir do nosso quartel de Cardosos.

  • A localização dada foi Rua da Aroeira em Freiria, Arrabal, dizendo que iria estar alguém na rua à espera da ambulância.
  • A ambulância saiu do quartel de Cardosos às 10H28
  • Chegados ao local indicado e verificado que a morada dada pelo CODU estava errada, foi solicitada localização correta o que, passados alguns minutos, aconteceu
  • Às 10H38 a ambulância chegou ao local e a tripulação passou dados ao CODU que diz para, de imediato e sem mais demoras, pegar na vítima e conduzi-la ao hospital. Lamentamos, desde já, o falecimento da vítima.

Quanto à reportagem, fomos contatados pela SIC mas, uma vez que, na sequência de contato feito pelo filho da vítima Sr. Nuno Brites, no dia 3 de janeiro, e reunião com o Comandante, foi iniciado um processo de averiguações,entendemos no momento não dever dar qualquer informação até estarem concluídas as averiguações, como é lógico.

Neste momento e dado que, através da reportagem da SIC, foi posta em causa a integridade dos Bombeiros Voluntários de Leiria, impõe-se que, mesmo sem a conclusão total das averiguações, em abono da verdade, seja esclarecido o seguinte:

  • Quanto à morada errada dada aos bombeiros pelo CODU, lamentamos que na reportagem seja insinuado que os bombeiros se perderam porque interpretaram mal a informação, uma vez que o filho da vítima Sr. Nuno Brites, na reunião com o Comandante, foi colocado perante provas irrefutáveis que os bombeiros receberam a morada errada
  • A ambulância que foi enviada para o local é só a ambulância de socorro mais moderna ao nosso serviço, tendo entrado em funcionamento em agosto de 2013
  • Tal como prevê a portaria 1147/2001, a viatura dispõe de todo o equipamento previsto, nomeadamente dois circuitos de oxigénio, estando equipada com dois cilindros de oxigénio, sendo um de maior dimensão para alimentar o circuito fixo, mas que pode ser utilizado em caso de emergência para alimentar o circuito portátil, e um cilindro mais pequeno para alimentar o circuito portátil
  • O cilindro do circuito portátil constatou-se que estava a entrar no vermelho, não estando totalmente esgotado
  • Quanto a não ter desfibrilhador, tal como prevê a portaria já referida,só as ambulâncias integradas no Programa de Desfibrilhação Automática Externa do INEM o pode ter, o que ainda não é o caso. Esta integração pressupõe o cumprimento de uma série de “burocracias”, sendo que os Bombeiros Voluntários de Leiria estão, há cerca de ano e meio, a trabalhar no sentido de todas as ambulâncias de socorro terem desfibrilhador. Já temos seis equipamentos desde o início de dezembro de 2013, estando a aguardar a conclusão do processo para que possam entrar em funcionamento. Aliás, o filho da vítima constatou isso mesmo e viu os equipamentos
  • O CODU sabia que, ao acionar a nossa viatura do quartel de Cardosos, esta não estava equipada com aquele tipo de equipamento, sendo que as duas viaturas integradas no dito sistema mais próximas da ocorrência se encontravam na cidade de Leiria e não nos Bombeiros Voluntários de Leiria
  • Lamentamos que na reportagem da SIC, e porque não no início, não tivesse sido referido que a vítima de 77 anos tinha tido um “AVC hemorrágico fulminante”. Esta informação foi-nos dada pelo filho da vitima Sr. Nuno Brites aquando da reunião com o Comandante, quando este lhe disse que seria importante para as conclusões da averiguação saber qual o resultado da autópsia, ao que o mesmo respondeu que não tinha havido autópsia, mas que os médicos do hospital lhe tinham dito que a causa da morte tinha sido a indicada e que não haveria qualquer hipótese de outro desfecho
  • Ao chegar ao local, a tripulação da ambulância cumpriu as indicações dadas pelo CODU, que foi levar, o mais rápido possível, a vitima, tendo encontrado um cenário de “histerismo” protagonizado também pelos referidos enfermeiros que estavam a realizar manobras de reanimação em cima do colchão na cama, tratando-se esta situação de um erro técnico “muito grave”, pois essas manobras têm que ser realizadas sobre planos duros, para evitar o efeito mola,pelo que a vitima deveria ter sido colocada no chão ou em cima de um plano duro
  • Atendendo a que os ditos enfermeiros estavam em contato telefónico com o CODU, talvez tenha sido o teor dessas conversas que terão determinado o transporte de imediato para o hospital
  • De referir, apesar de não servir de desculpa para nada, que efetivamente o desnorte e o ambiente encontrados pelos bombeiros e todas as circunstâncias,nomeadamente a má informação inicial da localização, inibiram e perturbaram a ação da tripulação.

Do exposto, parece-nos que a utilização de meias verdades na reportagem pelos familiares da vítima não contribuem em nada e para nada e, só por má-fé ou má formação, é que se pode utilizar uma situação destas para denegrir a imagem dos bombeiros, até porque a versão da reportagem não corresponde às duas comunicações escritas feitas pelos familiares e em nosso poder.

No que nos diz respeito, já tirámos as nossas ilações e corrigimos o que deve ser corrigido para reduzir as possibilidades da ocorrência de erros.                                                                                  

Mais uma vez, lamentamos a morte da vítima, apresentamos os nossos pêsames à família, e manifestamos o nosso repúdio por todas as atitudes que visem apenas denegrir a nossa imagem a troco de nada.

Quartel em Leiria, 17 de janeiro de 2014

O Comandante