27 dezembro 2013

O que correu mal na época dos incêndios?

Relatório encomendado por Miguel Macedo enumera o que está mal. E quase tudo parece estar mal.

O ponto positivo do relatório encomendado à Universidade de Coimbra sobre os acidentes com mortes de bombeiros nos incêndios deste Verão é que, sem apontar o dedo a responsáveis, faz a lista do que falhou, permitindo a Miguel Macedo e ao Ministério da Administração Interna ter um retrato do que funcionou e do que não funcionou. E descreve, com minúcia, as circunstâncias que, infelizmente, causaram a morte de nove pessoas, oito das quais bombeiros, nos seis acidentes analisados. O ponto negativo é que as falhas detectadas são tantas, e de tal forma transversais, que vão obrigar a uma revisão de todo o sistema de combate, caso o ministro queira que as conclusões deste relatório sejam consequentes.

O relatório fala em lacunas na formação, falta de conhecimentos básicos sobre o comportamento do fogo, anarquia no uso do contrafogo, subavaliação do potencial do fogo ou, ao invés, uma sobreavaliação das capacidades dos bombeiros. No rol das coisas que correram mal, e sem reduzir a importância da questão da formação, há duas que saltam à vista: uma de organização e outra de meios. No relatório, é sublinhada a questão das ordens da hierarquia desrespeitadas, seja por falhas imputadas às equipas de bombeiros que actuaram por iniciativa própria, seja por falhas que têm origem no topo da cadeia de comando. E na questão dos meios é sublinhada a deficiência nos equipamentos usados, da qualidade das botas que os bombeiros calçavam, não utilização de fire-shelter, ou mesmo não ter havido recurso a meios aéreos quando tal se justificava.

O diagnóstico, ou parte dele, está feito. E o MAI, que teve a iniciativa de pedir o relatório, fica agora com o ónus e a obrigação de apresentar propostas e soluções para que a próxima época de incêndios não seja tão dramática como a última.

 

por Público