10 dezembro 2013

Baixas temperaturas e pobreza aumentam pedidos aos bombeiros do Baixo Tâmega



As baixas temperaturas dos últimos dias e a pobreza explicam o aumento do número de pedidos de ajuda de idosos aos bombeiros do Baixo Tâmega, disseram à Lusa os comandantes de várias corporações.

Segundo os bombeiros, há horas em que as chamadas são em número "muito elevado", o que tem provocado, pontualmente, dificuldade das corporações para fazerem face a tantos pedidos.

O comandante José Costa, dos Bombeiros Voluntários de Baião, o concelho mais interior do distrito do Porto, disse hoje à Lusa que este tipo de chamadas tem aumentado nos últimos dois anos.

"A nossa média é de 700 a 800 chamadas por ano, mas esse número tem aumentado ultimamente. Este ano, já realizámos 900 serviços de emergência e esperamos ter perto de 1.000 no final de dezembro", explicou.

O comandante da corporação de Baião disse acreditar que o aumento se deve, além do frio, ao empobrecimento gradual da população mais idosa, que tem menos recursos para pagar deslocações a consultas periódicas nos hospitais da região e para adquirir medicamentos.

Os bombeiros de Baião têm quatro ambulâncias de socorro, número que o comandante considera suficiente para a cobertura da sua zona de intervenção.

José Costa explica que, face à situação atual, é habitual as corporações da região colaborarem entre si para poderem satisfazer todos os pedidos da população.

No Marco de Canaveses, os bombeiros confirmam que nos últimos dias houve um pequeno aumento de chamadas para serviços de emergência, uma situação que, segundo Sérgio Silva, comandante dos voluntários locais, "é normal para a época" devido ao frio.

O comandante explicou que a corporação tem seis ambulâncias de socorro "suficientes para atenderem as chamadas na área de intervenção", mas admitiu que a concentração das chamadas, em certas horas do dia, pode levar a alguma sobrelotação no serviço.

"Em geral, as chamadas são de pessoas idosas que não têm meios para contactar os bombeiros ou o INEM. O que estamos a notar é um pico nas horas do almoço e do jantar, altura em que os familiares visitam e acabam por nos chamarem para acorrermos a ocorrências de doença súbita", explicou.

Apesar desta situação, Sérgio Silva assegurou que os voluntários locais têm os meios para responder a todas as situações.

Em Vila Meã, Amarante, o comandante dos bombeiros locais confirmou também o aumento de serviços de transporte de doentes, desde meados do mês de novembro, vários dos quais fora da zona de atuação da corporação.

Albano Teixeira sublinhou que a corporação tem meios suficientes para responder aos pedidos de intervenção em situações de transporte de emergência, nomeadamente quatro ambulâncias, incluindo um reforço do INEM.

Na quinta-feira, aquela corporação foi chamada a um serviço na área afeta aos bombeiros de Amarante, porque estes não tinham meios para satisfazerem o pedido.

O comandante dos voluntários de Amarante, Rui Ribeiro, disse à Lusa que a situação se deveu ao elevado número de pedidos que caem todos os dias na corporação, provocando picos em que as cinco ambulâncias na corporação, uma das quais do INEM, são insuficientes.

Rui Ribeiro disse acreditar que as baixas temperaturas num concelho de montanha, como o de Amarante, explicam o elevado número de pedidos, sobretudo da população mais idosa e mais carenciada.

Para aquele comandante, é normal os vários corpos de bombeiros fazerem serviços nas áreas vizinhas quando são solicitados pelas entidades nacionais do setor.

Fonte: RTP