06 novembro 2013

Inquéritos sobre morte de bombeiros ainda em aberto

A ANPC ainda não concluiu os inquéritos instaurados para apurar as circunstâncias da morte de oito bombeiros voluntários durante o combate aos fogos florestais. O prazo era de 45 dias, mas a Protecção Civil diz que é “meramente ordenador” e, em “circunstâncias excepcionais, pode ser excedido”.

A conclusão dos processos, justificou ao SOL fonte oficial deste organismo, depende de “factores estranhos à ANPC, nomeadamente a oportunidade de recolha de declarações de todos os intervenientes, sejam bombeiros, GIPS, sapadores florestais, etc.”.

Ao todo, oito bombeiros morreram este Verão, que ficou marcado por uma particularidade: ao contrário do sucedido em anos anteriores, todos sucumbiram devido a queimaduras graves sofridas durante a intervenção no terreno, e não por causa de acidentes laterais. Só o ano de 2005, que registou o recorde da década, de 16 mortos, foi mais dramático: 12 bombeiros não resistiram a queimaduras ou outros traumatismos resultantes do combate aos fogos.

O balanço da área ardida também não foi animador. Entre 1 de Janeiro e 15 de Outubro, deflagraram em todo o país 18.869 fogos (3.552 incêndios e 15.317 fogachos) que consumiram 140.944 hectares – número só ultrapassado pelos valores registados em 2003 (425.770) e 2005 (338.593). Na semana passada, no Parlamento, o ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, frisou que este foi o “2.º ano mais severo dos últimos 14”, a seguir a 2005 (o mais seco da última década).

O maior incêndio deflagrou em Picões (Bragança), destruindo 13.706 hectares. Boa parte (9.415 ha) da Serra do Caramulo (Viseu), também foi devastada. Fonte oficial do gabinete do ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional, Poiares Maduro – que está a acompanhar o levantamento dos danos causados por estes dois incêndios – disse ao SOL que, por causa das eleições, este processo está atrasado: “Os municípios pediram mais tempo para entregar os inquéritos” feitos à população.

Mas só no concelho de Vouzela, um dos oito atingidos, foram contabilizados até agora 472 mil euros de prejuízos, 350 mil em perdas florestais, segundo disse ao SOL fonte da autarquia.

A GNR deteve 42 incendiários em flagrante delito e a Polícia Judiciária interceptou 76. Deste total de 118 incendiários, só oito eram mulheres.

Fonte: SOL