20 novembro 2013

Estudo: bombeiros com a saúde em risco

Os retardadores de chamas estão presentes em quase todos os produtos utilizados pelo ser humano, desde a mobília, vestuário e até alimentação. No entanto, os retardadores de chamas são químicos tóxicos que estão associados a uma longa lista de problemas de saúde.

Todos estamos expostos aos retardadores de chamas. Porém, estudos recentes vieram demonstrar que existem grupos de pessoas que estão mais expostos a estes agentes: os bombeiros e os ginastas.

“Há grupos mais vulneráveis, e não são os que habitualmente se poderiam esperar”, disse Rennee Sharp, directora de investigação do Environmental Working Group, ao Huffington Post, na ante-estreia de “Toxic Hot Seat”, um documentário que aborda a questão da exposição aos retardadores de chamas.

Um dos protagonistas de “Toxic Hot Seat” é Tony Stefani, antigo capitão do Departamento de Incêndios de São Francisco, que conta a sua batalha contra um carcinoma, um tipo raro de cancro maligno que é habitualmente apenas detectado em operários fabris.

No combate às chamas, os bombeiros estão expostos a químicos, nomeadamente aos retardadores de chamas, que por sua vez estão associados a desordens dos sistemas neurológico e reprodutivo e a cancros. Muitos destes químicos que compõem os retardadores permanecem no ambiente e no corpo humano durante vários anos.

Pouco depois do diagnóstico de Stefani, em 2001, outros dois bombeiros do seu departamento foram diagnosticados com o mesmo tipo de cancro. Estudos recentes vêm comprovar que estes profissionais enfrentam elevados riscos para a saúde, principalmente devido à exposição a químicos tóxicos. Segundo um estudo publicado em Fevereiro, os níveis de retardadores de chamas no sangue de 12 bombeiros de São Francisco eram duas vezes superiores aos níveis da população em geral dos Estados Unidos. Uma outra investigação, desenvolvida pelo U.S. National Institute for Occupational Safety and Health, revela que as taxas de cancro são mais elevadas nos bombeiros do que na população em geral, conclusão retirada depois de serem inquiridos 30 mil bombeiros.

No caso dos ginastas, a exposição deve-se ao contacto com os colchões de apoio e de queda, que contêm vários químicos retardadores. Um estudo liderado por Courtney Carignan, uma investigadora de pós-doutoramento no Children’s Envirnonmental Health and Disease Prevention Center da Universidade de Dartmouth, e também antiga ginasta, aponta para uma maior concentração de retardadores no sangue dos ginastas do que na população em geral. O estudo de Carignan utilizou como amostra 11 ginastas universitários e concluiu que estes possuíam uma concentração de retardadores de chamas entre quatro a 6,5 vezes superior à concentração da população em geral.