14 novembro 2013

“Enquanto puder ajudar os Bombeiros, estarei cá para a servir”

Tem apenas 27 anos de idade mas pode tornar-se no ‘Bombeiro do Ano’. António Pedro Martins será proposto pela corporação dos Bombeiros Voluntários de Vila Verde para bombeiro do ano, em resultado do ato heroico que protagonizou na Avenida Doutor António Ribeiro Guimarães.

Tudo aconteceu num final da tarde. Ana Lopes, mãe de dois menores, foi levar o filho mais novo a casa de um familiar. No interior do carro, ficou a dormir o filho mais velho, de seis anos. Depois de a mãe ter abandonado a viatura, esta começou a descair, precipitando-se perigosamente na direção da chamada rotunda do Bom Retiro. Apercebendo-se que o carro começara a descair mal saiu do mesmo, a professora ainda foi a correr e agarrou no puxador da porta, mas não teve força para parar o carro.

Foi nessa altura que a coragem e os reflexos de António Pedro se revelaram decisivos: o bombeiro usou a sua viatura particular para travar a marcha do veículo e impedir o pior.

“Para mim, é um herói e ficar-lhe-ei eternamente agradecida”, refere Ana Lopes.

Por seu turno, o bombeiro garante que reagiu como lhe ditou a consciência. “Tinha o meu carro estacionado de traseira para a traseira do veículo da senhora. Quando me apercebi que ela tentava parar o carro sem sucesso nem pensei duas vezes. Consegui controlar o meu carro contra o dela e consegui segurá-lo. Desconhecia que o filho da senhora se encontrava dentro do carro. Por acaso, naquele dia, lembrei-me de ir verificar se o carro ainda tinha bateria. Quando estava no interior, apercebi-me da situação. E reagi como qualquer pessoa, acho eu”, explica, dando conta que ainda teve de acalmar a dona do carro, em pânico.

Ao final de tarde, a Avenida Doutor António Ribeiro Guimarães tem muito trânsito, sobretudo de pesados e autocarros escolares. “Podia ter acontecido uma tragédia”, considera a mãe, que redigiu uma carta ao Centro Distrital de Operações de Socorro de Braga louvando a atitude do bombeiro.

Também o comandante dos Voluntários de Vila Verde, António Lomba, está orgulhoso: “São atitudes como estas que nos fazem querer continuar”, garante.

“Estou cá porque gosto”

António Pedro Martins nasceu a 25 de Setembro de 1986. Solteiro, este jovem bombeiro é natural e residente em Vila Verde, precisamente na Avenida Doutor António Ribeiro Guimarães.

Depois de completar o 9º ano deixou os estudos e foi trabalhar para França, na construção civil, com familiares. Regressou e, de imediato, ingressou na corporação dos Bombeiros Voluntários de Vila Verde, instituição que serve a tempo inteiro, “de corpo e alma”, mas ainda enquanto voluntário.

Já trabalhou em cafés e na construção civil, mas é o serviço pela comunidade que lhe preenche o ego.

Há cerca de seis anos que é bombeiro. Nunca se havia, anteriormente, envolvido em nenhum movimento associativo. “Vim para os bombeiros por influência familiar, depois o ambiente amigável fez o resto. Gostei, logo à primeira, do ambiente que se vive nesta casa e apercebi-me cedo que era aqui que queria passar os meus dias”, conta o jovem bombeiro, explicando que fez cursos e começou a identificar-se “com o dia a dia que se vive num quartel”, destacando “o espírito de camaradagem e uma relação quase de uma grande família”. “Estou cá porque gosto, porque tenho amor a isto e não quero nada dos bombeiros. Sinto-me bem aqui e isso basta-me”, explica.

“É um motivo de orgulho e de realização pessoal”

António Pedro Martins é bombeiro voluntário, embora se entregue à causa a tempo inteiro. Desempregado, este jovem vilaverdense nomeado para Bombeiro do Ano vive com os pais, em Vila Verde, e passa a maioria do seu tempo dividido entre casa e o quartel da corporação dos soldados da paz.

“Como vivo com os meus mais, com isto e uns trabalhitos extra lá me oriento. Não quer dizer que se, um dia destes, arranjar um emprego fixo, não tenha que passar a exercer esta vocação a tempo parcial”, refere António Martins, assegurando, contudo, que nada o afastará dos bombeiros. “Continuarei a ser bombeiro, sempre. Enquanto puder ajudar esta corporação estarei cá para a servir. É um motivo de orgulho e de realização pessoal. Só o sentir que ajudamos os outros já é suficiente. Salvar uma vida não tem preço, nem pode ser remunerado”, garante.

Dependendo dos turnos, António Pedro passa os seus dias ou noites ao serviço da corporação. De dia, cumpre serviço das 8h às 18h. “Tento cumprir sempre com os meus horários e deveres, mesmo sendo voluntário nunca falho. Ou, pelo menos, tento não falhar. Por norma, até fico cá para lá das horas do serviço”, lembra.

Já se habituou a viver “uns dias alegres, outros mais tristes e trágicos”. “Temos que estar preparados para tudo, porque num dia pode ser uma pessoa nossa conhecida ou um amigo. Já nos habituámos a encontrar qualquer tipo de cenário”, diz, nomeando como os mais tristes momentos vividos os acidentes que presenciou em Cabanelas e na Vila do Pico de Regalados, onde perdiu um amigo. “Com o tempo, aprendemos a lidar com estas situações e, quando algo assim acontece, temos a ajuda de um psicólogo”, esclarece.

Gostos e preferências

Onde reside?

Vila Verde.

Profissão?

Desempregado.

Últimas férias?

Foi um acapamento com uns amigos aqui na região.

Último hobby?

Dedico os meus tempos livres aos bombeiros.

Carro que usa?

Seat Ibiza.

Almoço de hoje?

Arroz de feijão com panados.

Que bebeu hoje?

Água.

Perfume que usa?

Hugo Boss.

Marca de roupa que usa?

Não tenho nenhuma específica.

Último filme que viu?

Já não me lembro.

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Onde gostaria de morar?

Em Vila Verde.

Que profissão gostaria de ter?

Gostaria de trabalhar em algo ligado à eletrónica.

Férias preferidas?

Gostava de ir ao Brasil. Ainda sou novo, tenho tempo.

Passatempo preferido?

Trabalhar com componentes eletrónicos.

Carro que gostaria de ter?

Gosto do que tenho. Gosto de o ter bonito porque foi comprado com o meu dinheiro.

Prato preferido?

O mesmo.

Bebida preferida?

Não tenho.

Perfume preferido?

É o atual.

Marca de roupa preferida?

Não ligo nada a isso.

Filme preferido?

Tudo o que seja filmes de ação.

Bombeiros de Vila Verde distinguidos com medalha de ouro

Já tem data marcada a entrega da medalha de mérito de proteção e socorro por parte do Ministro da Administração Interna à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila Verde. Miguel Macedo visitará a instituição no dia 22 de dezembro e distinguirá, com o grau ouro e distintivo azul, o “exemplar percurso” da AHBVVV “ao serviço da comunidade e da proteção e socorro de populações com uma atuação sempre caracterizada pelo heroísmo, pela abnegação e pela solidariedade para com o próximo”.

Esta será, por ventura, uma das derradeiras ações e atividades das comemorações dos 100 anos de existência dos bombeiros vilaverdenses.

Entretanto, esta sexta-feira, pelas 20h30, a AHBVVV reúne em Assembleia Geral para discutir e votar a proposta do regulamento de distinções honoríficas da instituição e do regulamento do quadro honorífico dos Órgãos Sociais da Associação.

Fonte: Terras do Homem