07 novembro 2013

Bombeiros de Santiago do Cacém comemoraram centenário

A Associação dos Bombeiros Mistos de Santiago do Cacém comemorou, no dia 20 de outubro, o seu centésimo aniversário.
 
O dia festivo começou logo pela manhã com o hastear das bandeiras, a romagem ao cemitério e a celebração de uma missa, seguida de desfile apeado e motorizado pelas ruas da cidade.
 
Da parte da tarde, foram inaugurados o monumento de homenagem ao Bombeiro, de autoria do Mestre Eugénio Macedo, dedicado à causa da vida por vida, e a exposição sobre os cem anos da Associação, com instalação a cargo de Raquel Ventura.
 
O Presidente da Câmara Municipal, Álvaro Beijinha, presidiu à sessão solene durante a qual foram condecorados bombeiros com medalhas de dedicação e assiduidade. 

A cerimónia ficou marcada pela entrega, por parte do representante do Ministro da Administração Interna, da Medalha de Mérito de Proteção e Socorro no Grau Ouro e Distintivo Azul aos Bombeiros de Santiago do Cacém. A Liga dos Bombeiros Portugueses também entregou uma distinção à Associação e galardões a instituições e empresas locais que se têm destacado pelo apoio prestado aos Bombeiros de Santiago do Cacém.
 
Na sua intervenção, Nuno Braz, Presidente da Direção da Associação, referiu que este é um momento de festa e realçou o trabalho desempenhado, ao longo deste século, pelos bombeiros na salvaguarda de vidas humanas e bens e, na sua opinião, “ser bombeiro não é uma tarefa fácil, não é para qualquer um. Considero-o um dom.“

Carlos Agostinho, comandante do corpo de Bombeiros, teceu críticas à legislação que rege o funcionamento dos bombeiros, considerando-a como um fator de estrangulamento ao voluntariado: “Passados cem anos, temos imensa legislação que falta regulamentar. Quem é que quer ser bombeiro, dar o seu contributo por amor à camisola, sem se encostar à legislação?”

De acordo com o dirigente, o dia a dia é vivido “na linha vermelha” e deu o exemplo da viatura de desencarceramento que necessita de ser substituída com urgência. Teceu ainda duras críticas ao quadro de pessoal dos corpos de bombeiros, à regulamentação do teto máximo do número de horas e ao cumprimento do serviço mínimo obrigatório e defendeu a “urgência na revisão de todo o sistema”.

O Presidente da Câmara Municipal, Álvaro Beijinha, referiu-se à cerimónia como dignificante deste dia e de reconhecimento público dos Bombeiros Mistos de Santiago do Cacém ”pelo que representam para a nossa comunidade local e para as nossas gentes, bem como do esforço, da abnegação, da solidariedade e da disponibilidade de todos os soldados da paz.”

O autarca evidenciou que a aposta nos Bombeiros “tem de ser uma realidade cada vez mais efetiva, mais constante e que reconheça a importância fundamental do seu papel na sociedade. A Câmara Municipal de Santiago do Cacém sublinha e valoriza todo o trabalho conjunto desenvolvido com as quatro corporações do Concelho ao longo dos anos, traduzido num apoio protocolado para fazer face às despesas de investimento.” Acresce a este protocolo um apoio no pagamento dos seguros das viaturas das quatro corporações.

Estes apoios da Câmara Municipal podem e devem ser reforçados, mas para isso, reforçou Álvaro Beijinha, “é necessário um forte sinal por parte do Estado, nomeadamente naquilo que são as transferências do Orçamento do Estado para as autarquias, cujos cortes têm condicionado – e muito – o apoio às associações.”

A Associação dos Bombeiros Voluntários de Santiago do Cacém foi fundada a 20 de outubro de 1913. Depois da Implantação da República em 1910, deflagraram em Santiago do Cacém violentos incêndios que vieram despertar a população para a necessidade de se organizar em defesa dos seus bens e haveres, que até então, estavam apenas defendidos pelo espírito de entreajuda de vizinhos. A Comissão das Classes Reunidas, que tinha por intenção agrupar os profissionais de todas as atividades na defesa dos seus interesses de “classe”, abandona a sua ideia inicial e cria os Serviços de Incêndios.

No âmbito dos cem anos, foi editada uma medalha comemorativa, que pode ser adquirida na sede dos Bombeiros de Santiago do Cacém.

Em breve, será publicado um livro sobre a instituição.

O quartel dos Bombeiros encontra-se de portas abertas a todos os que queiram visitar a sua exposição.