06 novembro 2013

A chuva que faz esquecer os bombeiros


As chuvas arrastam o lixo do asfalto e a terra das serras. E leva também a vontade de fazer notícia dos bombeiros, as capas de jornal, o tempo de antena e as iniciativas de solidariedade
Com o início de Outubro chegam as primeiras chuvas, os incêndios florestais dão tréguas aos bombeiros. Sabe bem, finalmente chegam também os primeiros segundos de descanso. Mas com tanta água a cair dos céus, a arrastar o lixo do asfalto, a terra das serras, leva também a vontade de fazer notícia dos bombeiros, as capas de jornal, o tempo de antena, as iniciativas de solidariedade, enfim, de volta ao esquecimento, qual a novidade.

O importante aqui não é a publicidade que se faz em torno das associações de bombeiros, não é o reconhecimento publico, não é o tempo de antena nem muito menos mostrar as dificuldades de cada corpo de bombeiros. O importante aqui é a atitude.

Hoje, mais do que nunca, ser bombeiro é estar mais próximo da sociedade e ser interativo com a comunidade. Já lá vai o tempo em que apenas esperavam que o telefone tocasse para irem em auxílio do socorro. Hoje, a atitude é educar o cidadão e prevenir. Aumentar a informação de senso comum a respeito do trabalho do bombeiro é uma missão.

Ainda ontem ouvi alguém comentar que os bombeiros fazem o que fazem porque são pagos e se o fazem é porque gostam. E que ninguém os obrigou a abdicar da família para irem passar a noite ao quartel. Esta última até pode ser verdade, mas é desagradável ouvi-lo. Basta.

Informar, educar prevenir
Ser bombeiro é muito abrangente. Depende da interpretação. Mas basta de falar do desconhecido. Qualquer um pode ser bombeiro. Mas dedicar uma vida... a conversa é outra.

Hoje, como já disse, a missão é informar, educar prevenir. Depois dos incêndios florestais, o bombeiro continua a trabalhar. Aqueles homens que marcaram as páginas dos jornais, continuam a envergar a farda com o mesmo orgulho e sentido de missão e continuam o trabalho, buscas e resgates, acidentes de trânsito, inundações, aberturas de porta, missões pré-hospitalares, transporte de doentes — enfim uma lista extensa.

Esqueçam o mediatismo e as publicidades. Concentrem-se na essência da pessoa, na "performance" da corporação, no trabalho das equipas de bombeiros e na superação das dificuldades da associação que representam. Os bombeiros são promotores da cultura, da região em que estão integrados. Difundem a boa prática do desporto e são elementos de uma sociedade activa. São bombeiros, mas também homens e mulheres, que merecem todo o respeito.

Eles continuam cá. No entanto e Apesar de todas as dificuldades enfrentadas pelos corpos de bombeiros, estes conseguem atingir um valor considerável de confiabilidade junto do cidadão. Comparo a figura do bombeiro a Asclepius, pela capacidade de preservar vidas alheias. Afastemos a ideia do bombeiro como mero “carregador” de água. Ele deixou de ser passivo, deixou de combater apenas os efeitos para ajudar a combater as causas. Os incêndios florestais ficaram para trás, mas chegaram as chuvas…

Fonte: Público/Andreia Pinto