18 outubro 2013

Sismos: A Importância de estarmos Preparados

No passado dia 11 de Outubro, os portugueses aderiram em massa ao desafio lançado pela Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) e participaram de forma entusiástica no exercício público de cidadania "A Terra Treme".

 Patrícia Gaspar
(Comandante Operacional Distrital de Setúbal)
Este evento, promovido pela ANPC, em parceria com diversas entidades parceiras, públicas e privadas, e inserido nas celebrações do Dia Internacional para a Redução de Catástrofes, visou, antes de mais, sensibilizar as diferentes comunidades para a importância da preparação e da autoproteção no contexto do risco sísmico, envolvendo directamente os cidadãos mas também as organizações.

O risco sísmico é uma realidade incontornável no distrito de Setúbal pelo que o Comando Distrital de Operações de Socorro procurou, por diversas vias, disseminar toda a informação disponível associada a este evento, tentando desta forma garantir o envolvimento das diferentes entidades, organizações e cidadãos.

Conhecer os riscos que nos rodeiam e assumir o papel fundamental que nos cabe enquanto cidadãos são dois factores críticos de sucesso no longo caminho que leva à construção de sociedades mais bem preparadas para enfrentar as situações de emergência que, inevitavelmente, acabam por acontecer.

Pelos ensinamentos recolhidos durante situações reais de sismo, as primeiras 24 horas após um evento desta natureza são absolutamente decisivas no socorro das populações afectadas, sobretudo quando nos consciencializamos de que as organizações responsáveis pelo socorro e pela protecção são, elas próprias, muitas vezes afectadas. E é com base nesta premissa que a ANPC vem há longos anos apostando nas campanhas de sensibilização. O socorro a si próprio e ao próximo por parte de quem sobrevive e não é significativamente afectado pode fazer a diferença nas primeiras horas a seguir a um sismo.

O exercício "A Terra Treme" chamou a atenção para os 7 passos fundamentais que devem ser observados por todos no presente contexto.

Antes de qualquer emergência é fundamental conhecer os riscos e o espaço que nos rodeia e identificar a corrigir os riscos em casa, sendo esta a primeira missão de todos nós enquanto cidadãos e é este passo que nos vai permitir elaborar, com consistência, os chamados “Planos de Emergência Familiar”, os quais devem abordar aspectos tão simples como a identificação de um ponto de encontro para a reunião dos membros da família. Os Kits de emergência são também uma ferramenta fundamental, devendo estar sempre prontos e acessíveis num ponto estratégico da habitação, contendo material fundamental para ajudar à sobrevivência nas primeiras horas após uma emergência, como seja, um rádio e pilhas, uma lanterna, um kit de primeiros socorros, fotocópias dos documentos mais importantes da família, medicamentos de toma essencial e até alguma comida enlatada.

Durante um sismo, e conforme praticado durante este exercício, deveremos todos assumir os 3 gestos fundamentais de protecção: baixar, proteger e aguardar. E é fundamental que todos tenhamos a consciência que se trata de três gestos que nos podem salvar a vida!

Nos momentos após o sismo, assume-se então fundamental cuidar de nós próprios e dos mais vulneráveis e acompanhar as informações que vão sendo transmitidas pelas autoridades.

Porque uma sociedade preparada e conhecedora dos perigos vigentes é uma sociedade mais resiliente.

A adesão a este exercício por parte de diferentes entidades, tais como escolas, lares e espaços comerciais, levam-nos a acreditar que estamos no bom caminho e que iniciativas como esta, paralelamente aos trabalhos realizados pela ANPC ao longo dos últimos 5 anos na área do planeamento de emergência e do planeamento operacional, contribuem de facto para a criação de um país e de uma sociedade melhor preparada para enfrentar o fenómeno dos sismos.

Fonte: Setúbal na Rede