24 outubro 2013

Bombeiros do Beato, Lisboa, dormem no chão e quartel novo tarda em chegar

“O pessoal quer mesmo sair daqui”

Baterias e extintores amontoados à entrada, colchões empilhados em cima de cacifos e baldes e esfregonas misturados com mangueiras e casacos constituem o cenário que se verifica no quartel dos Bombeiros Voluntários do Beato, Lisboa.

“Não existem condições nenhumas para permanecermos aqui. Não temos condições para dormir, o pessoal dorme no chão, não temos janelas para haver respiração, é muito pequenino, no inverno é muito frio, no verão é muito quente”, resumiu Mário Ribeiro, comandante da corporação.

Antigas cavalariças do duque de Lafões, as instalações dos bombeiros têm sido alteradas ao longo dos anos e são pequenas para as atuais necessidades.

Entre corredores estreitos encontram-se uma pequena sala com o equipamento, uma sala de convívio, uma cozinha improvisada, a sala do comandante, duas camaratas e duas casas de banho. Por todo o lado estão colocados cacifos e todos os cantos e recantos servem para arrumos.

Os 11 carros da corporação não cabem nas instalações e ficam à porta, “onde são constantemente vandalizados”, disse Mário Ribeiro.

Há três anos que o comandante, que está naquele quartel desde 2009, anda a pedir novas instalações, sem sucesso.

Dada a falta de condições das camaratas, os cerca de 40 bombeiros daquela corporação preferem dormir no chão ou nos sofás, mas “no inverno, quando chove, o pessoal tem de dormir no chão e por vezes acordam molhados porque a água entra no quartel ou sai pelas sanitas”, acrescentou.

Na última campanha eleitoral, o comandante diz recebido garantias por parte do então candidato António Costa (PS) de que iria ter novas instalações.

Uma das possibilidades será a atribuição de um terreno naquela zona, mas a construção do quartel terá de ficar a cargo dos bombeiros voluntários.

Segundo Mário Ribeiro, o “desespero” dos bombeiros para sair dali “é tanto” que não se importam de “pôr do próprio bolso” e de fazerem recolhas de donativos para ajudar nas despesas.

“O pessoal quer mesmo sair daqui”, frisou.

Afirmando ter o “pior quartel do país”, Mário Ribeiro considerou não deixar de ser irónico que os bombeiros do Beato sejam a corporação da cidade de Lisboa “que mais serviços faz”.

“Temos uma capacidade de resposta de quase 100%. Em termos de equipamentos estamos bem servidos, as instalações é que são más”, afirmou.

A Lusa tentou, sem sucesso, obter um comentário do presidente da câmara de Lisboa.

Fonte: ionline