09 setembro 2011

Poema: MEMORIAl

Só morre quem se extinguir,

Quem nunca lançar sementes.

Quem viver sem repetir,

A sua alma com as gentes.

Pois quem, na vida vivida,

Quem a memória não se enterra,

E eu...? Eu não sou só eu!

Em mim coabitem milhões.

Sou um gene, que nasceu,

De milhares gerações.

Por isso continuo vivo...!

Não há morte que me vença!

E cada dia revivo,

Sinais da minha presença,

Dos amores que conheci,

Dos ódios que alimentei,

Dos erros que cometi,

Das saudades que deixei,

Dos caminhos que percorri,

Das pedras que levantei,

Das palavras que escrevi,

Das emoções que provoquei,

Das chamas que acendi

E dos fogos que apaguei.

Das vezes em que cai

E de como me levantei,

Das vergonhas que senti,

De quando me ajoelhei,

Das verdades que escondi,

Das mentiras que contei,

Das vezes em que perdi

E das poucas que calhei.

Das vezes em que perdi,

Daqueles em que me dei.

De tantas vezes em que ri

E das lágrimas que chorei.

De todas as coisas que vi

E daquelas que inventei

De quando me encontrei,

Quando me queria perder.

Das vezes em que pensei,

Ser a fonte de saber...

Dos sonhos que motivei

A uma criança qualquer.

Dos óvulos que fecundei.

No ventre de uma mulher!

Eis-me aqui! Estou entre vós!

Não me sentem? Não me vêem?

Não ouvem a minha voz,

Nestas palavras que lêem?!

Estou aqui! Estou presente!

Estou vivo! Eu sou a história...

Não há morte que me ausente.

Viverei...! Enquanto houver memória!

Autorita: Comandante José Manuel Araitújo - CB Avintes

Autorizado pelo Comdt Mario Brigantim


Sofia Richau
Departamento Relações Públicas