09 setembro 2011

Alvalade-Sado: Dificuldades Financeiras Obrigam Bombeiros a Reduzir Quadro de Pessoal

As dificuldades financeiras que os bombeiros de Alvalade-Sado, no concelho de Santiago do Cacém, enfrentam já levaram ao despedimento de seis funcionários, nos últimos seis meses, disse hoje à agência Lusa a presidente da associação, Lénia Machado.

A responsável da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Alvalade-Sado explicou que as dificuldades devem-se às alterações no financiamento do transporte de doentes não urgentes no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Desde o início deste ano, o acesso ao transporte pago pelo Ministério da Saúde tem de obedecer a dois requisitos: prescrição clínica e insuficiência económica.

“Muitos serviços não são considerados urgentes e são os utentes que têm de pagá-los”, disse Lénia Machado.

Segundo a presidente da associação, a nova realidade “não levou a uma redução do número de serviços prestados”, mas antes das receitas auferidas pela prestação dos mesmos.

Atualmente, os pagamentos do SNS estão “mais ou menos regularizados”, contudo, “muitos utentes não têm dinheiro para efetuar o pagamento” ou pedem para que o mesmo “seja faseado”.

“Não podendo negar o transporte a quem dele necessita”, mas enfrentando a asfixia financeira decorrente da redução das receitas, a corporação tem optado, nos últimos seis meses, por um corte gradual no quadro de pessoal, explicou.

Desde março deste ano, foram já despedidos seis funcionários. A dispensa mais recente foi de uma funcionária administrativa, que trabalhará apenas até dia 15 deste mês, altura em que cessa o seu contrato, não renovado.

A corporação, que conta com 32 bombeiros voluntários, está agora reduzida a seis funcionários assalariados, que ainda não receberam o subsídio de férias deste ano.

“Será pago assim que houver condições”, assegurou Lénia Machado.

Não conseguindo prever se serão necessários mais despedimentos, a presidente da instituição afirmou que, por enquanto, a corporação vai dando “a melhor resposta que consegue”, pedindo “apoio aos bombeiros amigos do concelho” quando sente dificuldades.

Contudo, se “não forem tomadas medidas a nível do Governo”, a dirigente teme que, a curto prazo, os bombeiros “não consigam dar resposta às necessidades da população”.

@Lusa